segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O terceiro...

"Não tentes coonestar de piedade a míngua
Com que meu coração pões em constante alarme.
Não me ofendas com o olhar, ofende-me com a língua;
Com ela podes num só golpe assassina-me:

Dize-me que amas outro. Ante mim, no entretanto,
Não deixes teu olhar ir em pós de outra presa.
Por que me hás de ferir com astúcia, se tens tanto
Valor quanta humildade há na minha defesa?

Mas eu te exculpo, meu amor: sabes, decerto,
Que o teu olhar gentil me vem sendo inimigo;
Desviando-o de mim, põe-me dele a coberto

E outros fazes ficar alvo de tal perigo.
Mas não insistas nisso,oh, não! Que venha a morte,
De pronto, em teu olhar, findar-me a triste sorte."

(Do querido e amigo escritor Thiago Zardo)
31.10.2008