terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Contos de Isadora (parte III)

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Como aquela música hipnotizara Isadora, tanto que a fez desligar-se do mundo, dos acontecimentos nada normais que a cercavam.
Cada detalhe do quarto lhe parecia familiar, era como se ela já estivesse ali antes, já tivesse passado noites e noites deitada naquela cama macia, sentido aquelas fragrâncias, ouvindo aquelas músicas, era como se ela já tivesse visto sua imagem refletida naqueles espelhos, espelhos que a cobriam dos pés a cabeça.
Dos vários baús antigos e empoeirados, muitos estavam trancados, não tinha idéia de onde encontrar as chaves para abri-los e muitos menos a chave daquele diário misterioso.
Mexeu nos baús e os que estavam abertos, resolveu revirar. Lá encontrou livros antigos, rascunhos com letras de músicas, receitas de bolo de chocolate e algumas orações começadas em latim e terminadas em francês, como não sabia nada destas línguas, a não ser diferenciá-la do português, ignorou todas as orações.
No fundo deste mesmo baú havia um fundo falso, puxou o tampão que o escondia e encontrou chaves e mais chaves.
Começou pelas chaves menores as tentativas de abrir o diário, tentava uma e nada! Outra e nada! A bela moça curiosa, estava ficando nervosa por não conseguir abri-lo, até que em um momento de muita raiva, atirou-o contra a parede e neste instante caiu uma chave que estava escondida num canto de um armário bem alto. E não é que aquela era a chave do diário.
Sentou-se no chão ao lado da cama, pegou a chave e com muita precaução tentou abrir aquele cadeado, na primeira volta que a chave deu não houve sucesso, o cadeado não abriu! Mas aquela tranca era uma tranca diferente, precisava de duas voltas da chave para direita e uma volta para esquerda e foi assim que a moça de pele branca e olhos grandes e azuis conseguiu abri-lo.
A emoção tomou conta de Isadora, sua respiração estava ofegante como se estivesse prestes a desvendar um segredo ou descobrir um tesouro escondido.
Abriu lentamente e com muito cuidado a primeira página, o receio de rasgar alguma página ou amassa-las era grande.
Seus olhos arregalaram e sua expressão era de 'choque', logo na primeira página havia um poema, que de tão misterioso, lindo parecia música, isso causou um grande impacto e espanto naquela, agora sem reação, moça.
O poema dizia:

Lindos olhos, Flor-de-lis
Lábios doces juvenis
Sedutores e engajados

Pele pálida, Flor-de-lótus
Espelhos esgrimes
Suaves sentidos
Eterno vestido, vermelho de cetim!

Isadora Marie Deville


O nome que assinara o poema, era o mesmo nome de Isadora...

(continua)