segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Contos de Isadora (Parte II)

...
Isadora encolheu-se dentro da lavanderia, espremendo-se para chegar ao fundo da despensa; enquanto se ajeitava, para caber naquele espaço tão pequeno, os barulhos que eram uma mistura de passos, sussurros e sons que não havia como definir se aproximavam cada vez mais, o que a jovem não havia percebido, era o rastro de sangue que deixara ao se esconder; então seja lá o que a perseguia, em breve descobriria onde ela estava escondida.
De repente: Silêncio absoluto!
Olhos encharcados de lágrimas, pele roxa de tanto frio, boca acinzentada; unido ao silêncio: um vulto, logo ao lado de seu esconderijo!
Assustada, Isadora bateu as costas no fundo da despensa, onde misteriosamente abriu uma pequena porta, que fez com que ela rolasse sem parar por uma escada, ao abrir seus olhos percebeu que havia uma chance de sobrevivência.
Pasma, Isadora levantou-se, observou cada detalhe daquele porão, que não tinha idéia existir.
Espelhos, baús antigos, vestidos, perfumes, maquiagem, infinitos objetos femininos espalhados por aquele espaço que nada mais era do que um quarto, a cama era grande e a colcha que a cobria brilhava como diamantes recém polidos. Sobre uma mesinha ao lado da cama, havia um diário com cadeado, todo coberto de poeira e teia de aranha, não pensou duas vezes, pegou o diário limpou com um pedaço da colcha da cama e tentou abri-lo. Sua curiosidade era tão intensa, que mal se lembrava que ainda estava nua, mas isto logo mudaria. Suas tentativas de abrir o diário foram inúteis e ao passar a mão pelo rosto, viu um belo vestido de cetim, vermelho, um vermelho sangue, pendurado em um cabide ao lado de um armário. Ficou deslumbrada com aquela cor tão maravilhosa e intensa, com os brilhos e um decote tão instigante, colocou aquele vestido, que parecia ter sido feito sob medida, pegou uma escova de cabelos que estava ao lado do diário e começou a se embelezar, viu-se linda, poderosa, imortal, dentro daquele magnífico vestido, parecia que aquela, agora, sedutora mulher estava enfeitiçada, o espelho refletia o brilho de seu olhar e cada segundo a mais, Isadora sentia-se mais e mais sedutora e avassaladora.
Ao mexer nos baús, procurando um perfume de seu gosto, encontrou uma caixinha de música, deu corda e começou apreciar aqueles clássicos celtas, empolgada com seu novo vestido, os novos objetos e claro, com aquele lugar intrigante, Isadora dançou...dançou... esquecendo que estava se escondendo de algo, que até então não sabia o que era...


(Continua)