terça-feira, 28 de setembro de 2010

O seu pai já te salvou de uma vaca? O meu já! ;)



Quando eu tinha nove anos, morava em Guarantã do Norte, no Mato Grosso, bem pertinho do Pará, na verdade.
E não havia estrada, mas sim chão de terra, melhor AREIA.
Parecia uma grande praia sem mar.
Atrás da rua onde eu morava havia um aeroporto e atrás do aeroporto moravam vários índios, daqueles que usam prato na boca, andam sem camisa por aí com o corpo coberto de tinta e seus meios de transporte não são os barcos, já que não há grandes rios, mas sim as mais atuais caminhonetes que o nosso dinheiro ainda não pode comprar.
E o mais interessante, era que nada destas coisas me assustava, pelo contrário eu adorava ficar olhando fixamente, tentando entender como colocavam os pratos na boca(hoje eu sei) .Foi aí que eu descobri uma super vontade em trabalhar com índios, ensinar a ler e a escrever. Ainda não realizei esta vontade, mas tudo tem sua hora.
Enfim, sem perder o foco, continuo...
Numa das muitas tardes de calor intenso, meu pai, minha melhor amiga Gislene e eu, fomos visitar um tio que morava em um sítio, com águas límpidas e muita argila, para fazermos toda escultura que quiséssemos, era tão legal, a argila secava na pele a andávamos feito robôs.
Naquele dia, meu pai ficou conversando com meu tio e minha amiga e eu descemos até o rio, passamos por uma "quiçaça" que era maior que nós duas e entramos no riacho, me lembro até hoje da sensação da água fresquinha e do cheiro de cocô de vaca!
Estávamos lá brincando, rindo...gritando, quando de repente vimos pegadas de vacas ou bois na beira do rio, levantamos devagar, sem falar nada, olhamos pra trás e avistamos uma vaca gigante olhando fixamente pra nós duas e mugindo, veio pro nosso lado. Neste momento começamos a gritar: "Paiiiiiii, socorroooooooooo!" e a minha amiga gritava também: "Paiiiiiii, salva a gente, tem um monstrooooo aquiiiii", até ela chamava o MEU pai de pai.
Do nada vimos a "quiçaça" se mover rapidamente, e avistamos a careca do papai, correndo desesperadamente, e do nada a carequinha desapareceu, e de novo surgiu em meio ao mato, ele tinha caído, levantou e saiu pulando, parecia que pisava em brasas, de tão alto que pulava.
Pra finalizar ele se enroscou na cerca, rasgou a calça e em seguida "nos salvou"da terrível fera que babava.
Quando ele viu que se tratava de uma vaca, boi ou sei lá o que, eu não fiquei vendo estes detalhes, ele quis nos bater, queria nos afogar no rio, ficou morrendo de raiva pelo escândalo que fizemos.
Mas no fundo ele entendeu o medo que estávamos sentindo.

O mais engraçado era vê-lo correndo, caindo, levantando, se enroscando! Ele parecia o super homem nordestino, careca e com metade da cueca pra fora, já que tinha deixado um pedaço da calça na cerca!

Meu pai sempre vai ser meu herói.Desastrado, mas herói!

Seu pai já te salvou de uma vaca?
O meu já! ;)


Bjos da Deli