terça-feira, 30 de novembro de 2010

A última carta

Um dia qualquer, num mês qualquer.

Querido amor que não é mais meu,

Estava aqui pensando em todas as regras para iniciar uma carta, talvez de amor, talvez de desamor; porém a última.
Ao fechar os olhos e lembrar dos intensos momentos, das fragâncias, dos gestos: sinto saudade.
Saudade do passado, dos instantes únicos e que não voltarão.
Esperar sempre fez parte, pois o tempo ajudou a perceber o que realmente é sentido; ter a subjetiva certeza de uma nova decisão, de uma enfim, terminada busca!
Cá estou, sem saber que rumo tomar, sem ter ideia de qual caminho seguir, já que sinto que nada mais pode ser feito. O amor talvez tenha chegado ao fim. Ou a esperança tenha se desgastado. Ou a vida  tenha tomado um novo rumo. Ou eu simplesmente tenha me conhecido como realmente sou.
Mais um dia sem saber o momento seguinte, porém com a certeza de que o mais esperado aconteceu.
A última oportunidade foi lançada e cabe a nós, neste instante, fazermos a escolha.
Enquanto acreditei nos sentimentos mais profundos, soube escolher.. Não entre o certo e errado, se tratando de amor, não existe certo e errado, existe o amar ou sofrer; escolhi entre ser e estar.
Todas as voltas que rodeiam as palavras, da alma saídas, fazem com que a cada novo instante, a dificuldade paire em meus ombros para que eu escreva aquilo que desde o início foi prioridade.
Talvez eu queira apenas dizer que por tempos o amor existiu, que foi alimentado, que foi cuidado.
Talvez eu queira dizer que o amor sempre existirá, mas a aceitação de não tê-lo fará com que eu perceba que viver ainda é preciso e que a dor com o tempo estará amenizada.
Qual a cura para um sofimento sem comparação?
Dizer que a dor parece com uma facada que com sua lâmina afiada adentra a pele e corrompe o coração, não é nada parecido com a dor de um amor que não é correspondido.
Precisei de tanto tempo, tantos momentos em solidão, noites em claro, dias sem sol em pleno o verão, para decidir o que fazer com tal sentimento.
Talvez, hoje esta seja minha última oportunidade para dizer que o amo, que o amei a cada respiração e que será amado até o dia que eu aprenda a conviver com tal intensidade que não me faça mais perder o sono, talvez aí neste momento eu o ame mais ainda.
Mas amando-o, respeito!
Livre está, para que floresça em sua vida um novo amanhecer, que trará junto às flores o aroma do que é novo, jovem e disposto.
Hoje te deixo e junto com o deixar, se vão minhas lágrimas, meus pedidos, minhas cicatrizes, minhas incertezas seguidas de tanta certeza.
Ao te deixar, deixo contigo aquilo que será sempre teu:
o meu coração!
E deixo aqui minha última oportunidade em ser plenamente feliz!

Com amor,
o seu amor!